Para quem só lê letras latinas, uma página em japonês, coreano ou russo parece o motivo perfeito para não começar. É o contrário: a escrita é a única parte do idioma com um número pequeno e fixo de peças, um fim definido e uma recompensa que chega em dias. Duas semanas de sessões curtas e diárias costumam bastar para ler devagar qualquer um desses sistemas. Tudo o que vem depois é vocabulário, e esse trabalho é igual em qualquer idioma.
Pontos principais
- O cirílico tem 33 letras, o hangul tem 24 letras básicas empilhadas em blocos, o hiragana e o katakana têm 46 caracteres cada, e o vietnamita acrescenta ao alfabeto latino seis tons e sete letras modificadas.
- Dez a quinze minutos por dia, som e forma aprendidos juntos, as letras parecidas lado a lado e palavras de verdade a partir do terceiro dia: duas semanas costumam bastar para ler devagar.
- A romanização é uma muleta para largar depois do primeiro dia; a própria escrita é o guia de pronúncia.
Quatro escritas, quatro tarefas diferentes
Cirílico (russo). Um alfabeto de 33 letras, a maioria correspondendo a um som só. Mais ou menos um terço se parece com letras latinas e soa igual, um terço parece familiar e soa diferente, e um terço é novo. A dificuldade não está nas letras, e sim nos falsos amigos: o В russo é um v, o Н é um n, o Р é um r. Aprenda esses primeiro e o resto é prática de leitura.
Hangul (coreano). Não é bem um alfabeto que se decora, é um sistema que se entende. Catorze consoantes e dez vogais básicas, criadas no século XV para que o formato refletisse a posição da boca, se empilham em blocos quadrados de sílabas. A maioria das pessoas consegue soletrar palavras depois de poucas horas; os blocos fazem do coreano a escrita mais rápida desta lista para começar a ler.
Hiragana e katakana (japonês). Dois silabários de 46 caracteres básicos cada, um para as palavras japonesas e a gramática, outro para palavras estrangeiras e ênfase. Cada caractere é uma sílaba, então há mais peças do que num alfabeto, mas nada para decifrar. Os kanji, os caracteres chineses, são um caminho mais longo, mas você não precisa deles para começar, e um curso que começa pelos kana permite ler tudo o que um iniciante encontra.
Vietnamita. A escrita é latina, e essa é a boa notícia. O trabalho está nos sinais: seis tons escritos como acentos acima e abaixo das vogais, além de letras modificadas como ă, â, ê, ô, ơ, ư e đ. O significado de uma palavra muda com o tom, então os sinais não são enfeite; são letras. Aprenda o conjunto, com os sons, antes de qualquer outra coisa.
Os quatro sistemas lado a lado (os prazos supõem dez a quinze minutos por dia):
| Escrita | Peças para aprender | Tempo até ler devagar |
|---|---|---|
| Cirílico | 33 letras | de alguns dias a uma semana |
| Hangul | 14 consoantes e 10 vogais, mais as duplas e as combinações | horas para soletrar, uma semana para ler |
| Hiragana e katakana | 46 caracteres básicos cada, mais os sinais de sonorização e as combinações | uma a duas semanas |
| Letras e tons do vietnamita | 29 letras, 7 delas com sinais extras, e 6 tons (5 escritos) | uma a duas semanas para os sinais |
Como aprender uma nova escrita em duas semanas?
- Dez a quinze minutos por dia, não mais. Escritas se aprendem com muitas exposições curtas; uma sessão de três horas no domingo só produz dor de cabeça e confusão.
- Som e forma juntos. Nunca aprenda um caractere em silêncio. Diga o som dele enquanto o traça, sempre.
- Trace antes de escrever. Seguir a ordem dos traços com o dedo ou com uma caneta digital grava a forma na mão, uma segunda memória ao lado da do olho.
- Agrupe por semelhança e por armadilha. Aprenda as formas parecidas lado a lado, para que a diferença seja o que fica na memória: シ e ツ, ㅏ e ㅓ, Ш e Щ.
- Leia a partir do terceiro dia. Palavras de verdade, por mais devagar que seja. Placas, cardápios, nomes de filmes. É a leitura que transforma uma tabela decorada numa escrita que você usa.
- Digite. Instale o teclado no celular na primeira semana e mande uma mensagem para alguém. Digitar obriga você a lembrar de cada caractere.
O que não fazer
Não use a romanização como muleta depois do primeiro dia. Quem lê japonês em letras latinas durante um mês precisa desaprender o hábito e, enquanto isso, aprendeu pronúncias que a romanização só aproxima. A escrita é o guia de pronúncia; quanto antes você a lê, antes ouve o idioma do jeito certo.
Também não é a escrita que torna um idioma lento. Nas estimativas do Foreign Service Institute, o coreano, com a escrita mais fácil das quatro, está no mesmo grupo de 2.200 horas que o japonês, enquanto o russo, com as suas 33 letras, leva cerca de metade disso: a diferença está na gramática e no vocabulário, não no alfabeto (veja quanto tempo leva cada idioma).
No LinguaPair
Todo curso começa com um nível A0 dedicado à escrita: uma tabela dos caracteres, cada um com áudio para que você sempre aprenda o som junto com a forma, e exercícios de traçado em que você segue os traços na tela antes de precisar reconhecer o caractere dentro de uma palavra. As lições passam para palavras de verdade assim que você consegue lê-las, então a escrita nunca é estudada sozinha por mais tempo do que o necessário. No vietnamita, o mesmo nível ensina os tons e os sinais como um conjunto, com o som de cada um. Duas semanas de sessões curtas, e a página deixa de parecer o motivo para não começar.
